IFAM Campus Iranduba Fortalece Educação Antirracista e Celebra a Resistência dos Povos Indígenas
IRANDUBA (AM) – O Instituto Federal do Amazonas (IFAM) Campus Iranduba reafirma seu compromisso com a justiça cognitiva e a valorização das identidades amazônicas. No último dia 25 de abril, a instituição encerrou as celebrações do mês dos povos indígenas com um evento que uniu educação, cultura e o anúncio de um novo projeto estruturante de letramento racial.

IFAM Campus Iranduba Fortalece Educação Antirracista e Celebra a Resistência dos Povos Indígenas
IRANDUBA (AM) – O Instituto Federal do Amazonas (IFAM) Campus Iranduba reafirma seu compromisso com a justiça cognitiva e a valorização das identidades amazônicas. No último dia 25 de abril, a instituição encerrou as celebrações do mês dos povos indígenas com um evento que uniu educação, cultura e o anúncio de um novo projeto estruturante de letramento racial.
A Força da Tradição Sateré Mawé no Campus
As celebrações contaram com a presença da comunidade Sateré Mawé Sahuapé, vinda do distrito de Ariaú. Sob a liderança da Tuxáua Midian, o encontro proporcionou aos alunos do Ensino Médio Integrado, Subsequente e do programa Mulheres Mil uma imersão na realidade e na resistência indígena.
A etnia, que hoje subsiste da venda de artesanato e de apresentações culturais, trouxe para dentro do IFAM o relato das dificuldades enfrentadas pela invasão urbana em suas áreas demarcadas. Mesmo diante dos desafios estruturais, a comunidade mantém-se firme na preservação de suas tradições, servindo como exemplo vivo para a comunidade acadêmica.
Por que o 19 de Abril? Reflexão e Mudança
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado oficialmente em 19 de abril, passou por uma mudança significativa em sua nomenclatura em 2022. A alteração do antigo "Dia do Índio" para a denominação atual, proposta pela deputada Joenia Wapichana, buscou eliminar a conotação pejorativa e estereotipada do termo anterior, que frequentemente remete ao "atraso" ou ao "selvagem".
A data é, acima de tudo, um convite à reflexão sobre:
- A demarcação de terras e a proteção contra crimes ambientais.
- O combate ao preconceito estrutural presente na sociedade brasileira.
- A celebração da diversidade, considerando que o Brasil abriga quase 1,7 milhão de indígenas.
Novo Projeto: Tecendo Redes de Afirmação
Em consonância com as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, o IFAM Iranduba anunciou a implementação do projeto de ensino e extensão: "Tecendo Redes de Afirmação: Oficina de Letramento Racial e Saberes Amazônicos".
Com uma carga horária de 20 horas, a iniciativa busca desconstruir o mito da democracia racial e identificar o racismo institucional no cotidiano escolar e técnico. A proposta pedagógica fundamenta-se na Ecologia dos Saberes e nas Epistemologias Decoloniais, integrando autores renomados como Boaventura de Sousa Santos, Conceição Evaristo, Ailton Krenak e Frantz Fanon.
Destaques da Metodologia
A oficina adotará a "Roda" como tecnologia educativa, promovendo espaços horizontais de fala entre diferentes perfis de estudantes:
- Escrevivência: Práticas de escrita baseadas na experiência de vida e ancestralidade.
- Mapas de Parentesco: Uma abordagem inspirada em Krenak para identificar a conexão afetiva com o território de Iranduba.
- Zine Antirracista: Como produto final, os alunos produzirão um libreto autoral com as reflexões acumuladas durante os encontros.
Com essas ações, o IFAM Campus Iranduba busca não apenas cumprir uma obrigatoriedade legal, mas transformar o ambiente escolar em um polo de resistência e valorização das potências locais.